Golden visa: o que é residência por investimento, quanto custa em cada país e quando vale a pena
Golden visa é o nome de mercado da residência por investimento: o país te dá autorização para morar nele em troca de dinheiro colocado num imóvel, num fundo, num depósito ou numa empresa. Compra residência. Não compra passaporte, e não compra regime de imposto. Em 2026 o mapa mudou muito: Portugal tirou o imóvel do programa e exige 500 mil euros em fundo, a Espanha fechou a porta em abril de 2025, a Grécia subiu para 400 e 800 mil euros conforme a região, os EUA pedem de US$ 800 mil a US$ 1,05 milhão, e o Panamá acabou de reescrever a regra: US$ 300 mil em imóvel novo, com residência permanente em 30 dias. Vale a pena para quem tem capital parado e quer um plano B de mobilidade pronto. Não vale para quem compra achando que o imposto muda junto. Esse é o erro que o vendedor de imóvel não te conta, e é o primeiro que vou desmontar.
O que golden visa é, e o que não é
A mecânica é sempre a mesma: você prova um investimento mínimo, o país emite um cartão de residência, e você renova enquanto o investimento ficar parado. O que muda de um programa para outro são três coisas:
- Quanto precisa investir, e em quê.
- Quantos dias por ano você precisa estar lá para renovar. Em vários programas, quase nenhum.
- O que ele vira com o tempo: residência permanente, cidadania, ou nada além de renovações.
O que ele nunca é: um atalho de imposto. Chego lá.
O mapa de 2026, país por país
Portugal. A porta do imóvel fechou em outubro de 2023 com a Lei 56/2023. Ficaram: 500 mil euros em fundo de investimento, 500 mil em pesquisa científica, 250 mil em produção cultural ou patrimônio, 500 mil numa empresa que crie 5 empregos, ou a criação de 10 postos de trabalho. O cartão vale 2 anos e se renova por mais 2. Permanência mínima: 7 dias no primeiro ano e duas semanas em cada período de dois anos seguinte. A cidadania, que era o grande argumento, ficou mais longe: a Lei Orgânica 1/2026, em vigor desde 19 de maio de 2026, exige 7 anos de residência para brasileiro (CPLP), contados a partir da emissão do título, e não mais da data do pedido.
Espanha. Acabou. A Lei Orgânica 1/2025 esvaziou os artigos 63 a 67 da lei que criava o visto de investidor, e desde 3 de abril de 2025 não entra pedido novo. Quem já tinha renova pelas regras antigas. Quem te oferecer golden visa espanhol hoje está vendendo um produto que o governo retirou da prateleira.
Grécia. Continua com imóvel, e subiu de preço com a Lei 5100/2024: 800 mil euros em Atenas, Tessalônica, Mykonos, Santorini e ilhas com mais de 3.100 habitantes; 400 mil euros no resto do país; 250 mil só para imóvel comercial convertido em residencial ou prédio tombado. O imóvel não pode ir para aluguel de curta temporada. Cartão de 5 anos, sem permanência mínima.
Estados Unidos. O EB-5 é o golden visa americano, e a régua está na Lei de Reforma e Integridade de 2022: US$ 1,05 milhão, ou US$ 800 mil em área de alto desemprego ou rural, com a obrigação de criar 10 empregos em tempo integral. Entrega green card, não só residência.
Panamá. A regra foi reescrita há dias. O Decreto Executivo 17, de 8 de setembro de 2026, publicado na Gaceta Oficial e vigente desde 16 de setembro, substituiu o decreto de 2020 e fixou: US$ 300 mil em imóvel novo comprado ao promotor, US$ 500 mil em imóvel de revenda, US$ 500 mil em valores na bolsa, US$ 750 mil em depósito a prazo em banco privado ou US$ 500 mil em banco estatal. Residência permanente de saída, resposta em 30 dias. E um alerta: o prazo de “15 de outubro de 2026, depois sobe para 500 mil” que meio mercado repete não está em decreto nenhum. O que existe é a distinção novo versus revenda, e ela já está valendo.
Brasil. Sim, o Brasil também vende residência por investimento: a Resolução Normativa 13/2017 do CNIg dá autorização a quem investe R$ 500 mil numa empresa brasileira, ou R$ 150 mil em inovação e pesquisa. Pede menos que Portugal e a Grécia. Não tem fila.
O erro caro: comprar golden visa para pagar menos imposto
O erro mais comum do mercado: o empresário compra um imóvel em Lisboa ou uma cota de fundo, recebe o cartão, e acha que resolveu o Leão. Não resolveu nada. Imposto segue a residência fiscal, não o cartão de residência. Passaporte também não muda o imposto: quem tira cidadania portuguesa e continua morando no Brasil continua pagando ao Brasil sobre tudo o que ganha no mundo.
O golden visa de Portugal exige 7 dias por ano de presença. Quem cumpre só isso continua morando no Brasil, logo continua residente fiscal brasileiro, com a LLC, o fundo e o aluguel lá fora entrando na declaração do mesmo jeito. O cartão te deu uma opção de mudança. Não mudou a conta.
E se você se mudar de verdade para Portugal? Aí passa a pagar imposto português sobre a renda mundial, na tabela progressiva deles. O regime especial de chegada, o RNH, fechou para pedidos novos em 2024. O que restou, o IFICI, dá 20% por 10 anos só para atividades de uma lista fechada. Ou seja: Portugal é um país onde o imposto continua alto para quem mora lá de fato.
A escada tem dois degraus, e o golden visa não é nenhum deles
A conta de imposto do brasileiro com renda fora se resolve em dois degraus, e nenhum passa por comprar cartão de residência.
Degrau 1: ficar no Brasil e decidir quanto sobra. Quem fatura de fora por uma LLC americana caiu, desde a COSIT 56, na regra dos 15% ao ano sobre o lucro apurado em 31 de dezembro, distribuído ou não. Mas os 15% só incidem no lucro que sobrar. Despesa real deduz: tráfego, equipe, produto, a própria estrutura. Prejuízo de um ano compensa o lucro do seguinte, mecanismo escrito na própria Lei 14.754. Quem reinveste em crescimento não apura lucro e paga zero, morando no Brasil, declarando tudo. As duas obrigações que vêm junto, e que o vendedor esconde: o Form 5472 com o 1120 pro forma todo ano nos EUA, mesmo sem faturar, com multa mínima de US$ 25 mil, e a apuração anual no Brasil para a regra dos 15%.
Degrau 2: sair de verdade. Quem entrega a Comunicação e a Declaração de Saída Definitiva deixa de ser residente fiscal. O Brasil passa a tributar só o que nasce no Brasil, na fonte, e deixa de tributar o que você ganha fora. É nesse degrau que um país com 0% sobre renda de fonte estrangeira, como o Panamá, passa a valer o que promete.
Golden visa não é degrau. É, no máximo, o corrimão: a residência que você já tem pronta para o dia em que decidir subir o segundo degrau.
Panamá: a residência que não exige golden visa
Tem um detalhe que o mercado de imóvel não gosta de contar. No Panamá, a residência por investimento é a porta cara. A porta que eu usei foi a própria empresa: uma sociedade anônima panamenha, sua, com contrato de trabalho e permissão de trabalho, sustenta o pedido de residência provisória de dois anos. É a via do Visto de Empreendedor: residência já com a SA inclusa, por US$ 5.000, sem prender US$ 300 mil em tijolo.
Eu tirei minha residência em 2021, continuei morando no Brasil mais cinco anos e só em 2026 mudei de vez com a família. A residência não te obriga a mudar amanhã. Ela te dá a opção pronta.
Uma ordem que não se inverte: o Panamá está na lista de jurisdições da Receita, então uma SA panamenha de quem ainda mora no Brasil cai automaticamente nos 15% ao ano da Lei 14.754. O 0% do Panamá vale depois da saída, não antes. Primeiro a residência e a mudança de verdade, depois a estrutura que fatura o mundo a 0%. Quem te vende a SA para “receber a 0% morando no Brasil” está te vendendo um problema com o Leão.
Quando vale a pena, e quando não vale
Vale para quem tem capital que já ia ficar parado de qualquer jeito, quer uma segunda residência pronta como plano B, e entende que está comprando opção, não imposto. Grécia e Panamá ainda aceitam imóvel; Portugal exige fundo; os EUA entregam green card a um preço bem maior.
Não vale para quem faz isso para pagar menos imposto sem mudar de país. Esse dinheiro rende mais no degrau 1: uma estrutura que recebe em dólar e deixa você decidir quanto lucro apura. E não vale para quem vai mesmo sair do Brasil rumo ao Panamá: a via da empresa custa uma fração e entrega a mesma residência.
Se você é empresário e quer o degrau 1 montado do jeito certo, empresa, as duas declarações e o trilho do dólar, é o pacote do Dólar em Dia. Se você atende empresário com patrimônio fora ou querendo montar, e precisa responder “golden visa resolve?” com a lei na mão, fale comigo.
Perguntas frequentes
O que é golden visa?
É uma autorização de residência que um país concede em troca de investimento: imóvel, fundo, depósito, empresa ou empregos. Quem recebe pode morar no país, e em vários programas quase não precisa pisar nele para renovar. É residência, não cidadania e não regime de imposto.
Portugal ainda dá golden visa por imóvel?
Não. A compra de imóvel saiu do programa em outubro de 2023, com a Lei 56/2023. O que ficou: 500 mil euros em fundo de investimento, 500 mil em pesquisa, 250 mil em cultura, 500 mil numa empresa que crie 5 empregos ou a criação de 10 postos de trabalho. A permanência mínima é de 7 dias no primeiro ano e duas semanas a cada dois anos depois.
A Espanha acabou com o golden visa?
Sim. A Lei Orgânica 1/2025 esvaziou os artigos 63 a 67 da Lei 14/2013, e desde 3 de abril de 2025 não entra pedido novo. Quem já tinha a autorização renova pelas regras da época em que a recebeu.
Golden visa serve para pagar menos imposto?
Não por si só. Imposto segue a residência fiscal, não o cartão de residência. Quem tem golden visa em Portugal, passa 7 dias por ano lá e continua morando no Brasil, continua residente fiscal brasileiro e paga ao Brasil sobre tudo o que ganha no mundo. Para o Brasil parar de tributar a renda de fora é preciso a saída definitiva, com Comunicação e Declaração de Saída, e morar de verdade no outro país.
Quanto custa a residência por investimento no Panamá?
Pelo Decreto Executivo 17, de 8 de setembro de 2026, vigente desde 16 de setembro: US$ 300 mil em imóvel novo comprado ao promotor, US$ 500 mil em imóvel de revenda, US$ 500 mil em valores na bolsa ou US$ 750 mil em depósito a prazo em banco privado (US$ 500 mil em banco estatal). A residência é permanente e o prazo de resposta é de 30 dias. O prazo de "15 de outubro de 2026" que circula no mercado não está no decreto.
Dá para ter residência no Panamá sem comprar imóvel?
Dá. A própria empresa panamenha, uma sociedade anônima sua com contrato de trabalho e permissão de trabalho, sustenta o pedido de residência provisória de dois anos. É a via do Visto de Empreendedor: residência já com a SA inclusa, por US$ 5.000, sem travar capital em tijolo.